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Gaiola de Giestas
Gaiola de Giestas A avó varria as agrurasde uma vida ensimesmada,com giestas aos molhosamarradas contra o medoque escorria, assustado,pelos olhos caladosde crianças aprisionadasem gaiolas quase douradas. Mas a primavera, teimosa,insistia e lançava sonhospara o futuro…E brotavam maias e mais maiasque ondulavam o sol quevivo e quente,corria pelas encostas. Mas o fogo da tradiçãocedo ou tardecegava os sonhos acorrentando-os aos molhoscom que a avó varria, varria,a vida. Fotografia: Sérgio MoreiraPoema: Margarida Oliveira
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Sonho a preto e branco
Sonho a preto e branco A preto e branco me desenham a sombra, esculpindo um futuro de sonhos embaciados. Assim amarram a minha altura ancorando-me em terra sem asas que olhem o céu. Vergada sob o peso de escolhas viciadas rastejo de um passado que não recordo para um futuro que não sonho! Texto: Margarida Oliveira Fotografia: Sérgio Moreira
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Cinzas sagradas
Antiga reza popular para afastar males ou tratar de doenças. “Cobra, cobrão Sapo, sapão Todo o bicho da nação Que anda de rasto pelo chão, Para que não cresças E nem avessas, Mas antes obedeças Que venhas a bom humor Eu te corto, corvo, Cabeça e rabo E corpo todo! Quando S. Bento era estudante, Nenhum bicho ia para diante, Na mesma escola andava S. Braz, Aqui te seques, aqui te mirrarás.” Fotografia: Sérgio Moreira
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Costura da Alma
“Eu que coza pé aberto e fio destroçado, isso mesmo é que cozo”. Fotografias: Sérgio Moreira
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O jugo da cura
“Tresorelho, sai-te daqui assim como boi e vaca “carregou aqui””. Fotografia: Sérgio Moreira
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Raízes da Apatia: O Declínio da Consciência Coletiva
Fotografias: Sérgio Moreira
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O Ritual da Noite Eterna
Fotografia: Sérgio Moreira
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O celeiro
Nas terras gélidas do norte, onde o vento cortante dança com os flocos de neve, ergue-se um conjunto de celeiros. Obras-primas de engenharia, esculpidos em pedras que guardam segredos de eras passadas, guardiões de uma riqueza que não se mede em ouro, mas na malha intrincada das histórias entrelaçadas por gerações. As suas paredes, esculpidas pela paciência do tempo e envoltas numa neblina eterna, emanam uma aura que transcende as fronteiras terrenas. Fortalezas de opulência gélida, abrigam uma sinfonia de cores congeladas e fragrâncias cristalizadas, transformando o ato de armazenar alimentos numa celebração poética da vida. Os habitantes destas comunidades, cujas almas são moldadas pela frieza do clima, encontram calor…
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A conquista da natureza
Ao longo da história, testemunhamos um notável avanço nas explicações dos eventos ao nosso redor. À medida que a ciência e a razão se desenvolveram, muitos mitos e explicações místicas foram gradualmente substituídos por teorias fundamentadas em evidências e observações. A diminuição dos mitos reflete a capacidade da humanidade de questionar, explorar e descobrir, pavimentando o caminho para um entendimento mais profundo e fundamentado do mundo que habitamos. Este avanço aumentou o poder do homem sobre a Natureza. A ideia de que o controlo da natureza e dos seus recursos é partilhado por todos os homens é também um mito já desfeito por muitos pensadores contemporâneos. De facto, ao longo…
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Desobediência civil
Na vastidão das terras escocesas, onde as colinas ondulantes e os majestosos castelos espreitam entre as névoas, pode-se encontrar uma conexão peculiar entre a beleza natural e a história da desobediência e luta por direitos civis. Embora à primeira vista esses castelos possam evocar imagens de uma era medieval, eles também têm testemunhado a persistência e a resiliência do espírito humano ao longo dos séculos. Caminhar entre os castelos escoceses é mergulhar num cenário que, paradoxalmente, convida a contemplação e reflexão sobre questões de liberdade, justiça e resistência pacífica. Relembro a primeira de muitas consultas à obra de um autor que defendeu, a custo, a desobediência civil como forma de…





















