O caso do Kerala (Sudoeste da Índia)
Entre os anos 2001 e 2007 vivi na India.
A Congregação Religiosa da Igreja Católica, Sacerdotes do Coração de Jesus, à qual pertenço, tinha aberto ali uma missão e havia uma necessidade de padres para acompanhar a formação de jovens indianos que chegavam às nossas casas.
E a primeira a ser construída foi no Estado do Kerala, em Kumbalanghy.
O Estado do Kerala, um pequeno território na costa sudoeste da Índia, tem a maior taxa de alfabetização entre todos os estados indianos, com uma taxa acima dos 90%, muito para lá da média do país.
Tal índice de alfabetização faz, do Kerala, o primeiro Estado realmente alfabetizado na Índia.
Como foi possível chegar a tal nível?
Na verdade, tudo começou antes da independência. Aliás, mesmo antes da colonização inglesa, a educação foi sempre mais desenvolvida por aqueles lados.
Há razões históricas que vão até aos reis Cheras e ao reino Cochin e Travacore.
Há razões culturais, que a sua pluralidade religiosa e uma tradição matriarcal explicam.
Não é aqui o lugar para grandes desenvolvimentos, mas convido os meus leitores a aprofundar, se assim o desejarem, para confirmar ou desmentir as minhas palavras.
Como testemunho eloquente dessa grande literacia, garanto-vos que, enquanto lá estive, nos primeiros anos do terceiro milénio, habituei-me a ver as pessoas a ler o jornal pela manhã; não um, mas, pelos menos, dois jornais diários. Essa minha observação confirma que, oque aconteceu no Kerala foi o trabalho da formiguinha. Os resultados da aposta na educação demoram décadas a nascer, e não têm impacto nas oscilações das bolsas.
Deixo-vos um excerto de um dos jornais locais (online) para perceberem que o malayalam (língua local) tem caracteres próprios.

Deixo-vos, também, algumas fotos das crianças com as quais aprendi alguma coisa dessa língua que, para nós europeus, parece “chinês”. Elas foram, nesses primeiros anos do novo século, meus colegas de turma e sentaram-se, comigo, nos mesmos bancos.
Já agora, votos de Feliz Natal.





