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Costura da Alma
“Eu que coza pé aberto e fio destroçado, isso mesmo é que cozo”. Fotografias: Sérgio Moreira
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O celeiro
Nas terras gélidas do norte, onde o vento cortante dança com os flocos de neve, ergue-se um conjunto de celeiros. Obras-primas de engenharia, esculpidos em pedras que guardam segredos de eras passadas, guardiões de uma riqueza que não se mede em ouro, mas na malha intrincada das histórias entrelaçadas por gerações. As suas paredes, esculpidas pela paciência do tempo e envoltas numa neblina eterna, emanam uma aura que transcende as fronteiras terrenas. Fortalezas de opulência gélida, abrigam uma sinfonia de cores congeladas e fragrâncias cristalizadas, transformando o ato de armazenar alimentos numa celebração poética da vida. Os habitantes destas comunidades, cujas almas são moldadas pela frieza do clima, encontram calor…
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As margens da possibilidade
À chegada ao Castelo de Eilean Donan, vejo-me imerso num mundo que parecia ter sido esculpido diretamente das páginas de um livro de contos medievais. Este castelo, situado numa pequena ilha misteriosa nas Highlands é um símbolo imponente do imaginário social medieval.À medida que me aproximo das muralhas do castelo, as pedras antigas sussurram histórias de nobres e donzelas, de batalhas heróicas e tradições ancestrais. Sinto cavaleiros a defender a honra e a justiça e trovadores a entoar canções de amor. Quando entro, vejo salões com tapeçarias ricamente bordadas a retratar cenas de batalhas. Imagino nobres com roupas sumptuosas e jóias brilhantes e servos a manter viva a chama da…
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O muro e a roda da fortuna
Há uns dias, um amigo, dado a esta coisa das conexões e redes políticas, numa das suas breves demonstrações de retórica diz: – A função de um político é deixar as coisas melhor do que as encontrou.Dispensando outro tipo de comentários, pedi-lhe um boletim de voto por tamanha honra a minha conhecer tal figura. Sabendo eu que não guarda esse tipo de inocência em si, estaria certamente a sofrer as consequências da rodela de limão que colocou num copo meio vazio de gin. Nem a propósito, no dia seguinte, numa das minhas caminhadas em fim de tarde, encontro o senhor António.Habitante numa rua tranquila, no coração e centro histórico da…
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A liberdade diante do absurdo
“- Perguntei ao meu irmão se as mulheres ainda cantavam lá na fábrica.– Não! – disse ele – Lá têm tempo para isso…” Assim se desenrola mais uma conversa com uma colega que dedica grande parte do seu tempo a lutar pela liberdade e a formar gerações nos ideais do respeito e da dignidade. Recorda com nostalgia as vivências de juventude na fábrica do pai, um self-made man que subiu a pulso e cuja geração seguinte teve que fazer a necessária transição para um trabalho em cadeia que tirou a melodia das bocas dos trabalhadores e a substituiu por gestos ritmados e mecanizados. Segue-se uma reflexão sobre como os humanos…














