As Redes Sociais na educação em Angola
A série “Adolescência” mexeu com as águas e fez ondas em várias direcções, obrigando pais e educadores a parar para reflectir sobre a relação dos seus filhos e educandos com as redes sociais.

Uma das maiores transformações, que hoje enfrentamos, do ponto de vista social, é a migração das relações para o ambiente virtual, relegando para um lugar secundário algo que é fundamental para o desenvolvimento das competências sociais: a interacção corpórea.
Não é por acaso que assistimos a medidas legais e disciplinares que visam, também, entre outros objectivos, levar as crianças e adolescentes ao convívio na escola. A Austrália, pioneira, na forma como legislou sobre o assunto, proibiu aos adolescentes menores de 16 anos a abertura de contas nas redes sociais; e em vários países europeus foi proibido o uso do telemóvel nos recintos escolares.
O que se passa em Angola?
Em Angola o uso das redes sociais, especialmente o WhatsApp, Facebook, Instagram e Tik-Tok é muito difundido, sobretudo entre jovens e estudantes urbanos, que passam várias horas por dia conectados via smartphone.
Num país com uma falta gritante de materiais físicos de estudo, a internet pode ajudar a encontrar conteúdos educativos, trocar ideias, tirar dúvidas e colaborar em trabalhos de grupo, ampliando muito o acesso a materiais que podem complementar a aprendizagem.
A irmã Elizabete, freira, que dirige uma escola perto do lugar onde vivo (arredores de Luanda) testemunhou, que é frequente os professores partilharem, no grupo da turma, materiais de estudo que, de outra forma, não seriam acessíveis aos alunos. Por outro lado, também se nota um crescendo preocupante de bullying nas redes sociais.
E os pais destes alunos?
Bem, se existe uma falta de supervisão e acompanhamento no Reino Unido, como ficou demonstrado na série “Adolescência”, em Angola existe uma profunda iliteracia digital por parte de uma grande maioria dos progenitores que utilizam os seus telemóveis, quase exclusivamente, para telefonar e enviar mensagens; o que está para além disso (o básico, como eles dizem) é “chinês”.


