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A cintura de Luanda é um barril de pólvora ligado a um rastilho aceso
A monstruosa periferia de Luanda, a fervilhar de gente vivendo num afã desassossegado e frenético, está ensombrada por vários problemas que, ano após ano, preparam as condições ideais para uma situação alarmante e dramática cujo fim é, a médio ou a longo prazo: a tomada das ruas pela população, numa manifestação irracional da indignação popular, da frustração e da revolta contra tudo e contra todos. Existem zonas onde as forças de segurança não conseguem entrar. A ordem pública foi substituída pelo medo. Em bairros inteiros, a ausência do Estado deixou um vácuo que começa a ser preenchido por estruturas paralelas, onde a autoridade formal é desconsiderada. Se a soberania não…


